Roteiro, direção e um filme que entrou para a história

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Nizan Guanaes, hoje sócio da agência Africa e do Grupo YPY, já trabalhou na W/Brasil. E foi lá que ele criou um dos filmes que entrariam para a história da publicidade mundial.

A idéia original era mostrar uma mão invisível riscando alguns traços na tela da televisão, sempre acompanhada por uma locução em off. Quem estivesse em casa não veria a mão, apenas os traços que ela riscava. A locução, por sua vez, apresentaria uma série de virtudes sobre a imagem que estava sendo construída. Apenas ao final do filme o telespectador conseguiria perceber, através da imagem formada pelos traços, que todas aquelas virtudes se referiam a um dos maiores carrascos da história mundial: Hitler. Em seguida, a voz em off retornaria para dizer: “é possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade. Por isso é preciso tomar muito cuidado com a informação e o jornal que você recebe.” Após a locução, entraria a assinatura do anunciante: “Folha de S. Paulo. O jornal que mais se compra. E que nunca se vende.”

Quando Nizan apresentou o roteiro na agência, era quase uma unaminidade entre os presentes que ali estava uma idéia que iria fazer história na publicidade. “Quase” porque o Gabriel Zellmeister, diretor de arte e sócio do Washington Olivetto, ainda tinha dúvidas sobre a tal mão invisível. Para ele, o roteiro ainda precisava ser lapidado.

Mesmo achando que a idéia não estava acabada, Olivetto e Zellmeister resolveram apresentar o roteiro para Andrés Bukowinski, diretor escolhido para o filme. Ele também não gostou dessa história de mão invisível e deu uma sugestão: começar o filme mostrando apenas alguns pontos pretos no vídeo. À medida que a locução fosse avançando, a câmera iria recuar, de modo que desse a entender que aqueles pontos, agora já acompanhados de muitos outros, eram uma retícula – os milhares de pontos que compõem a foto de um jornal. O recuo da câmera também seria sincronizado com a locução. Apenas no término do texto seria possível identificar que a imagem que estava sendo formada era do Hiter.

Por conhecer e dominar como ninguém a linguagem cinematográfica, diretores de cena podem contribuir bastante para o sucesso de um filme. Olivetto e Zellmeister sabem bem disso. Tanto é que, para desespero do Nizan, que nunca gostou de ver seus roteiros alterados, os dois sócios da W/Brasil resolveram bancar a sugestão dada pelo Bukowinski. O resultado final teve tanto impacto que até o Nizan reconheceu a solução como o melhor caminho que o filme poderia ter seguido. E hoje, consagrado mundialmente, “Hitler” é um dos dois únicos comerciais brasileiros listados entre os 100 melhores de todos os tempos (o outro é “Primeiro Valisere“, também da W/Brasil).

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